[RESENHA DE FILME] A realidade fantástica dO Labirinto do Fauno

Esse é dos filmes que conquista o espectador por todos os lados: as cores agridoces, a música que embala os momentos mais e menos intensos, personagens que cativam e uma história que nos faz transitar em nossos próprios medos e sonhos.

O filme é dirigido por Guillermo Del Toro e conquistou três estatuetas do Oscar em 2007. Mas os prêmios são as partes que menos nos interessam nesse momento. Ou na verdade nos servem de confirmação para a preciosidade e delicadeza com que o mundo fantasioso de Ofélia nos oferece um convite para descansar ou enfrentar nossos anseios.

Utilizar termos -de quase tudo- opostos como descansar ou enfrentar dá uma brecha pra enxergar o mundo de possibilidades que esse Labirinto nos entrega. A construção de uma realidade fantástica funciona como facilitador no processo de enfrentamento de questões na realidade não-fantástica, que se refere a essa em que vivemos. Esse movimento de criação de algo “para além” pode ser entendido de forma mais direta como um mecanismo de defesa (processo em que o indivíduo protege-se de uma situação que causa dor através de estratégias variadas).

No filme Ofélia vive perdas e transformações que envolvem a morte do pai, a gravidez da mãe, a relação com o padrasto, as mudanças históricas de um país que vive uma guerra, a puberdade e todos os processos que isso causa. O pensamento mágico pode ser observado desde histórias contadas por ela ao seu irmão como também na valorização afetiva que Ofélia dá às coisas que observa (os detalhes do filme sempre direcionam o olhar de quem assistir ao micromundo que a personagem segue com seus olhos).

Não só enfrentar. Esse termo acaba se fazendo constantemente presente nessa leitura, mas é importante ressaltar que o filme também é um catalisador na produção de sentido, e com isso quero dizer que mostra ao espectador, e explora, a beleza no incomum e no que sobressai ao normótico, normativo.

A jornada do herói e a leveza dos contos de fada se misturam à desobediência de Ofélia e se unem à experimentação da personagem na criação de uma realidade incrível onde ela seja a narradora e a protagonista, diante de lutos e relacionamentos que por tendência a tornam rasurada no mundo normal.

O Labirinto do Fauno é muito mais sobre nossos labirintos pessoais e nossos jeitos de conquistar a saída verdadeira do que do Fauno. O questionamento sobre a intencionalidade do diretor em nos fazer adentrar em terras fantásticas fica durante e depois do filme. É quase impossível passar pela vida das personagens sem se deixar tocar pela história de cada uma delas.

A dica é mergulhar na fantasia e pensar como Ofélia; viver tudo com intensidade.

Referência:

SABBADINI, Andrea. O labirinto do Fauno. J. psicanal. [online]. 2014, vol.47, n.87 [citado  2019-06-04], pp. 287-294 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-58352014000200019&lng=pt&nrm=iso&gt;. ISSN 0103-5835.

 Classificação indicativa: 16+

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