Bate-Papo Maitri Convida: Stênio Stephanio

     O Bate Papo Maitri desse mês é especial, pois no dia 27 de agosto comemorou-se o Dia do Psicólogo! Para isso, convidamos o psicólogo e conselheiro do Conselho Regional de Psicologia (CRP) 17ª Região Stênio Stephanio Santos de Oliveira*, para responder algumas perguntas direcionadas aos estudantes de psicologia, psicólogos e interessados na área!

M: Para quem não sabe ainda, o que é o CRP e quais são as suas funções?

S: O Conselho Regional de Psicologia – CRP é uma autarquia federal que tem por função orientar e fiscalizar a categoria. O nosso CRP RN foi o 17º (décimo sétimo) a ser criado no Brasil. No total existem 23 Conselhos Regionais e um Conselho Federal de Psicologia.

M: Em agosto deste ano está em alta a campanha #psicologiaécompsicologo, que propõe a valorização do trabalho desta categoria. É crescente a visibilidade de outros ofícios que tem uma certa aproximação com a seara da psicologia, como algumas práticas terapêuticas, coachs, entre outros. O que diferencia a prática desses profissionais do psicólogo? Qual o diferencial da prática da psicologia?

S: A psicologia é científica, como também, uma profissão regulamentada, o que a torna diferente das demais práticas citadas e realizadas por não psicólogos. Toda a atuação do psicólogo deve se pautar em um código de ética e em diretrizes de atuação regulamentadas. Outras formas de práticas terapêuticas, coachs, dentre outras, são motivos de debates dentro do sistema conselhos, principalmente no que se trata do uso dessas práticas, utilizadas de forma complementar por psicólogos. Não há consenso sobre o assunto. Mas o que se deve levar em consideração na hora de utilizar de determinadas práticas complementares é avaliar se a mesma não fere o código de ética e demais resoluções vigentes.

M: Para você, quais são os principais desafios do profissional psicólogo diante da atual conjuntura política/econômica do Brasil?

S: Hoje a psicologia está inserida (e vem se inserindo) nos mais variados espaços de atuação em políticas públicas. Na minha opinião um dos vários desafios que a profissão enfrenta na atual conjuntura é o processo de precarização e sucateamento dos serviços que afeta diretamente a atuação da(o) psicóloga(o). Estamos vivendo um momento de retrocesso, no qual se fala em reforma trabalhista, previdenciária e terceirização. Os desmontes das políticas públicas afetam diretamente a sociedade e trazem consequências diretas na vida das pessoas. Politicamente o sistema conselhos se pauta pela garantia dos direitos humanos e posiciona-se contra toda forma de violação, dentre elas: a redução da maioridade penal, a homo-lesbo-transfobia, dentre outras formas de preconceitos ou opressão.

M: A atuação ética é muito importante no fazer do psicólogo. A quais condutas é importante estar atento e que devem ser denunciadas ao Conselho? Como denunciar e proceder? Como se sucede o processo?

S: É importante ficar atento as formas de divulgação enquanto psicólogo, se está dentro das recomendações éticas e evitar marketing que utilize o preço como atrativo, como também, mensagens sensacionalistas e promessas de resultados taxativos. Pode-se buscar por telefone, orientações de como proceder ao se deparar com conduta antiética. As principais formas de denunciar, podem ser feitas de forma presencial; via e-mail; e por correspondência.

Gostaria também de divulgar a mais nova forma de acesso ao CRP17 que é o “ZAPSI”, um número de whatsapp que é administrado pelos orientadores fiscais do Conselho em horário comercial para comunicação sobre dúvidas e informações a respeito da profissão.

M: Qual é sua visão sobre a Psicologia no Rio Grande Do Norte? No que precisamos avançar para contribuirmos ainda mais para a sociedade norteriograndense?

S: Uma psicologia que cada vez mais vem se inserido nos contextos rurais e se inserindo no interior do estado, caracteriza na minha opinião a nossa psicologia. Sabe-se que atualmente as políticas públicas são as que mais empregam psicólogos no RN, em serviços que já estão em todos os municípios do Estado. Desta forma, vejo que o psicólogo vem deixando de ser o profissional atuante apenas das metrópoles e dos grandes pólos urbanos. Sua prática hoje se pluraliza e ecoa por vários espaços.

Precisamos avançar mais no diálogo com a sociedade à qual ofertamos nossos serviços, contato esse que afeta diretamente na qualidade de nossas atividades, falo isso, não por achar que existe um trabalho mal feito pela categoria, mas sim, porque esse diálogo precisa ser constante e contínuo, até para a manutenção do processo de avaliação da profissão. Que espaços ocupamos e como ocupamos? Como a “Dona Maria” percebe a inserção do psicólogo que a atende em algumas políticas públicas? Como os gestores e autoridades enxergam o fazer do psicólogo? Como eu enquanto psicólogo preso pelo entendimento de qual é o meu papel? Para entender tudo isso, é preciso um diálogo claro com a sociedade.

M: Por fim, qual mensagem você deixaria em comemoração ao dia do psicólogo?

S: São apenas 55 anos da profissão no Brasil, construídas por vários nomes que fizeram ela ser o que ela é hoje, com sua pluralidade e habilidade de se inserir nos mais variados contextos. Que surjam mais 200 anos de psicologia no Brasil e que o passar do tempo legitime o compromisso social da profissão.


*Stênio Stephanio Santos de Oliveira (CRP-17/2989) é Presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização do – CRP17, Coordenador do CREAS Oeste de Natal e Psicólogo da Gestão dos Riscos de Emergências e Desastres.

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