Infância e Tecnologia: Já Pensou Como Isso Pode Estar Afetando a Vida Do Seu Filho(a)?

   Vivemos em tempos de transformação. A tecnologia chegou para ficar e vem mudando os nosso hábitos, estando presente em nosso cotidiano na maioria das atividades que realizamos, seja em casa, no trabalho ou até mesmo nos nossos momentos de lazer. Com as crianças não é diferente. O uso da tecnologia passou a fazer parte do dia-a-dia delas, moldando a sua forma de pensar e agir, seja na escola ou fora dela. Hoje é comum vermos crianças com celulares/tablets, jogando, assistindo vídeos ou acessando as suas redes sociais preferidas. Em muitos casos as telas chegam a ser suas melhores amigas. Por isso, precisamos parar para pensar quais as influências que essas tecnologias causam no desenvolvimento infantil, tendo em vista que essa geração já nasceu em uma época onde bater papo no Whatsapp e postar foto no Instagram já virou rotina.

   Brinquedos preferidos e brincadeiras frequentes vão dando lugar a jogos e experiências cada vez mais voltadas para o mundo virtual. As crianças antes mesmo de aprenderem a andar, ler ou escrever já mexem em aparelhos como computadores, tablets ou smartphones sem objetivos específicos. Dessa maneira, os brinquedos tradicionais responsáveis pela criatividade, coordenação motora e outros aspectos vão sendo substituídos por avanços tecnológicos, influenciando de modo negativo o desenvolvimento de experiências sinestésicas (tato, olfato, paladar, visão e audição), das quais são decorrentes da relação da criança com o mundo real 1. Nesse sentido, apesar de ser um dispositivo importante para o desenvolvimento, seu uso demasiado pode trazer prejuízos no desenvolvimento mental e social 1. Muitas vezes a brincadeira não é vista como importante, entretanto, é a partir da brincadeira que a criança vai compreendendo o mundo e constituindo sua personalidade por meio das trocas 2. Além disso, brinquedos e brincadeiras têm funções educativas em muitos momento, auxiliando principalmente na psicomotricidade. Quando a relação real entre as pessoas e o meio ambiente é substituída pela interação com o meio virtual, inclusive no vínculo familiar, o desempenho escolar pode ser comprometido, pois está havendo um desequilíbrio entre o aspecto afetivo e cognitivo, o qual compromete esse desempenho1.

   No aspecto da aprendizagem, essa relação com a tecnologia pode trazer benefícios. Estudos apontam um aumento na qualidade da escrita das crianças comparando com gerações passadas, pois as mensagens instantâneas estimulam o desenvolvimento dessa habilidade1. Percebe a necessidade de um sistema de ensino-aprendizagem que inclua esse avanço e já vamos notando essas modificações nas escolas e em seu sistema.

   A ansiedade, dependendo do caso, também pode ser associada ao uso da tecnologia. Uma vez que estamos imersos em um contexto onde a informação circula em grande velocidade, ela pode ser acessada em pouco tempo buscando em um site de busca virtual. Dessa forma, a ação de esperar pode ser demasiadamente incômoda, gerando ansiedade em algumas crianças.

   Outro fator desencadeado pelo uso exagerado de tecnologias é o sedentarismo, uma vez que a maior parcela dos aparelhos tecnológicos não movimentam o corpo como algumas brincadeiras1. Como consequências do sedentarismo, podemos ter um desequilíbrio físico e psicológico, contribuindo para um possível embotamento afetivo, ansiedade, depressão 1.

   Nesse sentido, a tecnologia pode ser benéfica se utilizada com moderação. Portanto, cabe acertarem acordos e combinados entre pais e filhos, conversando sobre os momentos mais oportunos para a utilização dos aparelhos tecnológicos. Limites são necessários e auxiliam no bem-estar da criança.

   Importante destacar que esse é um sintoma de uma época em que vivemos, onde não somente as crianças desenvolvem determinados comportamentos devido ao uso excessivo da tecnologia, mas percebemos esses comportamentos em parte da sociedade como um todo. Pode ser muito mais fácil e cômodo deixar o aparelho tecnológico com a criança entretida, que parar e separar um tempo para estar com ela realizando outras atividades e brincadeiras. Já pensou em quanto tempo você passa com seu filho(a) sem estar conectado com alguma tecnologia? Sendo a imitação uma das formas de aprendizado das crianças, devemos repensar também nossa relação com a tecnologia, não utilizando-a de maneira doentia ou exagerada.


Referências bibliográficas:
1: de Paiva, N. M. N., & da Silva Costa, J. (2015). A influência da tecnologia na
infância: desenvolvimento ou ameaça?.
2: Previtale, A. P. (2006). A importância do brincar.

Escrito por

Psicóloga em Maitri Instituto de Psicologia CRP 17/3559 Mestranda pelo PPGPSI-UFRN

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