[RESENHA CRÍTICA] Livro: O Cavaleiro Preso Na Armadura (1922)

   O Cavaleiro Preso na Armadura é um livro de Robert Fisher que conta através de uma fábula a história de um cavaleiro que inicia uma jornada para retirar sua armadura. Apesar da estrutura de fábula, das alegorias usadas e do frescor leve de sua escrita, o texto de Robert Fisher não é inocente, nem tampouco infantil.

   A história narrada do cavaleiro convida a nós todos a embarcar numa viagem desafiadora, que em seu trânsito convoca-nos também a um encontro com nós mesmos. O trajeto se inicia a partir de um dilema vivenciado pelo cavaleiro, que podemos simplificar e minimizar em uma questão: mantenho ou não minha armadura?

   O personagem principal empenhou-se por grande parte da vida em ser um cavaleiro bondoso, honrado e amoroso, cheio de expectativas em relação a si e aos outros não conseguia mais se ver fora deste seu papel. A identificação com o papel que desempenhava se torna tão grande que o personagem passa a ser sua própria armadura, deixa de tirá-la, esquece-se de que vive com ela e a armadura que a priori o protegia passa a privá-lo também do contato com a vida e se interpõe na sua relação consigo e com os outros.

– A maioria de nós está aprisionada no interior de uma armadura – declarou o rei.

– O que o senhor quer dizer? Perguntou o cavaleiro.

– Nós levantamos barreiras para proteger quem pensamos ser. Então um dia ficamos presos atrás das barreiras e não conseguimos mais sair. (p. 57)

   Assim como no livro, toda jornada inicia-se com uma escolha. Escolher não é fácil e também não o foi para o cavaleiro. Ainda assim, a tomada de decisão foi ponto de partida para uma peregrinação, igualmente árdua, que conduziu o cavaleiro ao encontro com suas fragilidades, medos, inseguranças, mas também o ensinou a ouvir-se e conhecer-se, a ser genuinamente corajoso e ousado e a transpor as ilusões a que tanto estava habituado, conectou-se assim com a sua verdade, e há quem diga que “a verdade é mais poderosa que a espada” (p. 98).

   Para tanto, foi preciso olhar-se, sair da zona – às vezes sufocante, mas – de conforto; foi preciso ter a coragem de se aventurar ao desconhecido, como quem se joga no vasto sem saber o que vai encontrar. Ainda assim, o cavaleiro não estava sozinho, ele pode contar com figuras que o ajudaram e o auxiliaram em diversas partes do caminho, que não eram suas pernas, mas que com ele caminhavam “ao lado”, para nos lembrar que em nossas lutas diárias, há momentos em que se batalha só, mas que ainda assim não precisamos ser sós.

   E então, que armadura você deseja tirar hoje?


Referência:

Fisher, R. (1922). O cavaleiro preso na armadura: Uma fábula para quem busca a Trilha da Verdade (23a). Rio de Janeiro: Record.

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