A Psicologia Transpessoal: uma visão integral

Apesar de nova entre a perspectivas clássicas da Psicologia (Behaviorismo, Psicanálise e Humanismo), a Psicologia Transpessoal possui uma vasta literatura que desenha seu surgimento e sua trajetória até os dias atuais. O termo que dá nome à abordagem surgiu inicialmente como transhumanismo em 1957 e foi oficializado como Psicologia Transpessoal no ano de 1968.

Vera Saldanha (1999) conceitua a abordagem como “estudo e a aplicação dos diferentes níveis de consciência” seguindo um caminho de integração do ser. Essa integração se caracteriza como sendo um estado lúcido de suas vivências, gerando harmonia interior e exterior e possibilitando a quebra de padrões normativos. Para tal proposta, a psicologia transpessoal tem fontes teóricas que permeiam postulados da física quântica e relativista (Saldanha, 1999) e da filosofia perene (Wilber, 2007), por exemplo.

Dentro da vivência prática, a psicologia transpessoal é uma abordagem de cura e crescimento (Wittine, 1997) que se constrói dentro das transformações que estão relacionadas aos mais diferentes níveis identitários. O terapeuta transpessoal surge como um facilitador dessas transformações através da relação autêntica que se constrói com o outro, sendo a qualidade desse vínculo primordial para o processo de cura (Ferreira, 2005). É importante ressaltar que o terapeuta transpessoal enquanto sujeito ativo no seu processo também se permite estar em constante transformação em busca do seu crescimento.

Enxergar o outro enquanto um ser biológico, psíquico, social e espiritual é apenas uma forma de tornar mais simples a ideia de que cada pessoa possui um universo de potencialidades e caraterísticas próprias que devem ser respeitadas e honradas pelo terapeuta. Não há uma delimitação que restrinja a psicologia transpessoal à certo tipo de técnicas, ambientes ou contextos. A psicologia transpessoal existe justamente dentro das possibilidades de reconhecer o outro com suas crenças e valores, conscientes ou inconscientes (Ferreira, 2005).

Podemos dizer que essa abordagem surgiu, não para negar as já existentes ou se propor a construir uma verdade absoluta.  Ao contrário, surgiu para responder questões em aberto e abraçar as possibilidades de construir essas respostas. A psicologia transpessoal é um livro aberto em fase de construção. Não há limite, tampouco conclusão aparente. Existe, sim, uma constante construção de conhecimento que é incitada, assim como no início de tudo, pelo respeito ao outro enquanto um ser integral.

Referências:

BERTOLUCCI, Eliana. Psicologia do Sagrado. – São Paulo: Ágora, 1991.

FERREIRA, A. BRANDÃO, E. MENESES, S. Psicologia Transpessoal: caminhos de transformação.  Comunigraf: Recife, 2005.

SALDANHA, Vera Peceguini. Didática transpessoal: perspectivas inovadoras para uma educação integral. – Campinas, SP: 2005.

SALDANHA, V. A psicoterapia transpessoal. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos tempos, 1999.

WILBER, K. O olho do espírito; uma visão integral para um mundo que ficou ligeiramente louco. São Paulo: Cultrix, 2001.

WILBER, K. Psicologia integral: consciência, espírito, psicologia e terapia.  – São Paulo: Cultrix, 2007)

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