Compreendendo o TEA (Transtorno do Espectro Autista)

   O Dia de Conscientização do Autismo é celebrado todo ano no dia 2 de abril e como o próprio nome diz, o intuito de existir tal data é para que sejam cada vez mais divulgadas informações a fim de conscientizar a sociedade, combatendo (pré)-conceitos, que o autismo consiste em um modo de ser que merece respeito. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas) de 2015, estima-se que 70 milhões de pessoas tenham autismo, o que corresponde a cerca de 1% da população mundial.

   Quando pensamos em um espectro, imaginamos diferentes intensidades e amplitudes. Dessa forma, quando nos referimos a um espectro do autismo, não é diferente. Nesse espectro, o grau de gravidade varia de pessoas que apresentam um quadro leve, com total independência e discretas dificuldades de adaptação, até aquelas pessoas que serão dependentes para as atividades de vida diárias, ao longo de toda a vida. A quinta edição do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), lançada em 2013, trouxe uma nova estrutura de sintomas e redefiniu o que antes era chamado de “Transtorno Autista” para o “Transtorno do Espectro Autista”.

   As principais características do Transtorno do Espectro Autista se dividem em três categorias:

  • Problemas de comunicação: inclui dificuldade em se comunicar e/ou entender a linguagem, seja literal ou metafórica.
  • Dificuldade em relação a pessoas, coisas e eventos: inclui problemas na interação com pessoas, dificuldade em interpretar expressões faciais e dificuldade no contato visual.
  • Movimentos ou comportamentos repetitivos do corpo (esteriotipados): tais como batidas de mão ou repetição de sons ou frases.

   Estudos demonstram que a identificação precoce dos sinais e dos sintomas de risco para o desenvolvimento do TEA é fundamental, pois, quanto antes a intervenção for iniciada, melhores são os resultados em termos de desenvolvimento cognitivo, linguagem e habilidades sociais (Dawson et al, 2010; Howlin et al., 2009; Reichow, 2012). Nesse sentido, as intervenções podem ser realizadas por diversos profissionais, dependendo da habilidade que demanda ser desenvolvida. É possível detectar os sintomas em crianças ainda na primeira infância. O diagnóstico é clínico feito por meio de anamnese completa e observação da criança por profissionais qualificados, que demanda tempo e não é considerado rígido, ou seja, de acordo com o desenvolvimento da criança, ela pode se encontrar em um outro lugar do espectro, diferente do que estava anteriormente.

   O papel do psicólogo no contexto do TEA pode ser por meio da Avaliação Neuropsicológica, que consiste em avaliar algumas habilidades, como um dos meios para chegar a um diagnóstico. Além disso, o Neuropsicólogo pode realizar também intervenções baseadas no laudo da avaliação com o intuito de desenvolver habilidades necessárias. A psicologia clínica também tem um importante papel. Existem modelos de intervenção mais voltadas para trabalhar a relação, já que esse é um aspecto que geralmente apresenta dificuldade no TEA e outros modelos baseados no aspecto cognitivo, com um foco maior na aprendizagem, como o ABA e o Teacch. Para saber qual é a melhor forma de intervenção, procure um profissional que lhe ajude a perceber quais são as suas necessidades.

   Acredita-se que o TEA é determinado por múltiplos fatores, não existindo uma etiologia única definida, mas sabe-se que existe herança genética, bem como fatores ambientais que propiciam o aparecimento do quadro.

   Há uma compreensão no senso comum de que o autista vive em “seu próprio mundo”, porém entendemos que ele vive em nosso mundo, assim como qualquer outra pessoa. O Instituto Maitri acredita que não existem crianças especiais, pois todas elas são especiais e, seu modo particular e cada uma tem a sua própria maneira de sentir e perceber o mundo. Acreditamos que o respeito e a compreensão com o indivíduo é a única forma possível que temos para mudar o mundo e entender que existem pessoas que enxerga a vida de uma forma diferente da nossa.

   Por fim, deixamos aqui uma citação da cientista e ativista Temple Grandin, autora do livro “O cérebro autista: pensando através do espectro”, que diz:

“As pessoas mais interessantes que você vai encontrar são aquelas que não se encaixam em sua caixa de papelão média.”

Referências:

https://www.psychiatry.org/patients-families/autism/what-is-autism-spectrum-disorder

Dawson, G., Rogers, S., Munson, J., Smith, M., Winter, J., Greenson, J., Donaldson, A., & Varley, J. (2010). Randomized, controlled trial of an intervention for toddlers with autism: the Early Start Denver Model. Pediatrics, 125(1): 17-23.

http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/diagnosticos-do-autismo/

https://nacoesunidas.org/especialistas-em-direitos-humanos-da-onu-pedem-fim-da-discriminacao-contra-pessoas-com-autismo/

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